Nova Cartografia Social Da Amazônia

NOTA SOBRE AUDIÊNCIA PÚBLICA ORDENAMENTO TURÍSTICO DOS NÚCLEOS INDÍGENAS DO BAIXO RIO NEGRO


No dia 15 de maio de 2019, ocorreu no Centro de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável Professor Roberto Vieira, localizado na RDS do Tupé, a audiência pública para discutir o ordenamento turístico dos núcleos indígenas do baixo Rio Negro. Estiveram presentes o procurador da República Fernando Merloto Soave, o analista pericial em Antropologia do MPF, Pedro Moutinho, representantes do Conselho Tutelar da Zona Rural de Manaus, da ManausCult, da Coordenação Regional da FUNAI de Manaus, da Amazonastur, da SEMA, da SEMMAS, da Copime, do NEICAM/UEA, da SEMASC, da FEI, bem como representantes dos núcleos e comunidades indígenas das RDS Tupé (municipal) e Puranga Conquista (estadual), e das agências, empresas de turismo, guias e profissionais da área, além de pesquisadores, entre eles do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia.

Audiência pública ordenamento turístico dos núcleos indígenas do baixo Rio Negro.
Foto: Ademir Karapãna.

O evento buscou encontrar uma dinâmica para o funcionamento turístico na área que estivesse contemplando os interesses, tantos empresariais, quanto os direitos indígenas. Entre as demandas que foram mais pontuadas, seria o respeito aos povos indígenas, tanto pelas agências de turismo, quanto pelos próprios turistas.

Marilda Karapãna durante audiência pública ordenamento turístico dos núcleos indígenas do baixo Rio Negro. Em fala Marilda reforça que o povo Karapãna não participa da dinâmica do turismo como vem sendo praticada e estão buscando outras alternativas turísticas que priorizem a autonomia do seu povo. Também fez um pedido de respeito aos povos indígenas que trabalham com turismo na região da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé-AM.
Foto: Ademir Karapãna

Maria Alice Karapãna pontuou que cada regra criada deve ser respeitada, pois na sua área os indígenas não desejam ser vistos como mero show ou desrespeitadas enquanto mulher. Como professora e formadora de opinião, considera que quem determina os valores são os grupos, bem como que é necessária a participação também na gestão da atividade do turismo pelas empresas, para que os indígenas saibam o quanto as empresas ganham em cada apresentação, sob pena de gerar a desvalorização da cultura indígena. Cada ritual é sagrado e demanda uma preparação, e fazê-lo de qualquer maneira gera efeitos depois em função desse desequilíbrio.

Em anexo relatório referente ao inquérito da AUDIÊNCIA PÚBLICA Ordenamento turístico dos núcleos indígenas do baixo Rio Negro:

 


Nota técnica elaborada por:
Eriki Aleixo Wapichana pesquisador do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA)
Foto por Ademir Karapãna.

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