Nova Cartografia Social Da Amazônia

NOTA DE REPÚDIO E SOLIDARIEDADE


NOTA DE REPÚDIO E SOLIDARIEDADE

Ao tomarmos conhecimento do grave episódio ocorrido neste domingo (26/11/2023, às 9:00 h) na Avenida Paulista, cidade de São Paulo, em que lideranças indígenas e quilombolas dos municípios de Acará e Tomé-Açu foram hostilizadas e violentamente agredidas fisicamente por um grupo de defensores do ex-Presidente Jair Bolsonaro, manifestamos nosso repúdio pela truculência dos atos praticados com a omissão e cumplicidade policiais. Na ocorrência foram proferidas ofensas raciais contra os referidos agentes sociais e feitas, aos gritos, repetidas ameaças de morte, gestos que impressionam por apresentar a performance de rituais de linchamento.

Líderes da etnia Tembé (Aldeias Pitawã e I’xing) e quilombolas da Associação de Moradores e Agricultores Remanescentes Quilombolas do Alto Acará (Amarqualta) estavam em São Paulo, a convite do Centro de Pesquisa e Formação, do Serviço Social do Comércio do Estado de São Paulo (SESC/SP), a fim de participar de um debate sobre os efeitos das mudanças climáticas em territórios de povos e comunidades tradicionais. No domingo pela manhã decidiram conhecer a Avenida Paulista, na companhia de Cícero Pedrosa Neto, jornalista e mestre em Sociologia e Antropologia pela Universidade Federal do Pará.

Quando caminhavam pela avenida, notaram que um vendedor de bonés e outros adereços temáticos ligados à esquerda e a movimentos sociais, de aproximadamente 65 anos, estava sendo humilhado e encurralado por um grupo de bolsonaristas. Inclusive, os materiais de trabalho do idoso estavam sendo vandalizados. Ao se aproximarem para prestar solidariedade, os indígenas e quilombolas passaram a ser insultados, agredidos, hostilizados, atacados e ameaçados pelos raivosos militantes de extrema-direita. O quilombola Lucas Santos foi imobilizado e agredido com chutes e socos na cabeça; Josias Dias dos Santos, quilombola inserido no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos no Pará, teve seu chapéu e blusa rasgados em pedaços após tentar se desvencilhar dos ataques; a cacica Miriam Tembé foi golpeada com um cacetete na cabeça, por um policial militar da PM/SP.

Ao ficarem sabendo de que se tratava de indígenas e quilombolas em viagem para participar de um evento do CPF/Sesc, os agressores intensificaram os ataques violentos, proferindo palavras de ordem racista como “índios, filhos da puta! Voltem para o Pará, mortos de fome”; “Quilombolas de merda, voltem para o tronco”. As cenas de terror prosseguiram na frente da polícia, que nada fez para puni-los: “deixa a polícia sair que vocês vão morrer”; “vamos matar vocês ali na esquina”, gritavam e gesticulavam.
Diante de tamanha beligerância, repelimos mais uma vez os atos de terror bolsonarista e nos solidarizamos profundamente com os indígenas e quilombolas de Acará e Tomé-Açu, cotidianamente violentados por estratégias de desmatamento e devastação ambiental, caracterizadas por brutalidade extrema e desumana, mas valentes defensores dos direitos humanos, do meio ambiente e dos territórios que tradicionalmente ocupam.

Belém, Manaus e Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2023.

Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia – PNCSA

veja relato no link abaixo

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